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sábado, 8 de maio de 2010

Bedtime Story


It was early in the morning when little Heinz came to wake me up. Urgent briefing awaited me, I rushed into my clothes and went to the hangar. Commander William (or it might have been Wilson, my memory is failing me lately) was already warming things up. Being fresh from the academy I was a bit nervous and I failed to digest all the flight plan info. My mind kept wandering to my childhood in Karlsruhe, all that playing in the park by The Schloss, the fair maidens parading around, the astonishingly great beer...  -'HEY !!  You there!! Stop daydreaming, son of a gun!!  This is KampfGruppen Eins. Fit in and wake up or I will do it for you!!' - That was sweet old commander in his best moments...  Well, I miss it all anyway.

Dawn was still creeping over the horizon and my crew was already strapped to our wondrous Ju-88 - A war winner plane, if I am allowed to say it. The two powerful DB engines flared alive and I throttled up and started taxiing. Great care needed there, I tell you young ones. Saw several good planes and crews go up in flames after a crash during taxi. Eyeballs wide open, I formed on the runway. Ops, sorry there number two, just overtook your plane. You see, I actually made the whole flight in position number 1.5, half-squeezing close to the leader. I hope number two has forgiven me, God rest his soul. Oberfeldwebel Karl Von Piperen was just on my 5 o'clock. Engines roaring we filled the sky with german wonder. Ah, those were the times. You see, my boy, all the girls then reeeeally looked forward to be nice to... Oh, here comes your mother! Let's keep that to ourselves, shall we? And quit the snickering.



Where was I? Yes, yes, I got it. After a few circles around the base to allow for everyone to catch up, South we went. Have I told you that happened in Crimea? What is that? No, it is not in Hawaii, never mind. Anyway, I'll speak to your mother about Geography. When she was your age she already knew where Crimea is, I taught her well. Oh, your Grandma did a nice job too, God embrace those old bones in his lap. Now shut up and listen, soon I will need to take my medicine and then I won't remember even my name.

We made a nice formation so-called Gaggle at the time. Yes, yes, pretty nice. Several fighters above us for protection, and up we went, to destroy the harbor at Sevastopol. After several uneventful minutes, with Von Piperen flying ever closer, the damned russian flak started to explode around us. Flak, young one, is bombs exploding in mid-air trying to kill your Grandpa. Our beloved Commander's plane started to smoke. Not a giant cigar, no. How do you come up with such stuff anyway? His engine was letting out smoke, bad sign. But on he went, as only a true Arian can manage. Hey kid, forget I said that. Other times, other times.

Anyway after a few changes in course, we aimed straight for the harbor. I must tell you, kid, that Commander Willie (as we called him) did a nice and smooth flight that night. He then reminded us his plan. To dive bomb and hit the harbor from very low altitude. Dangerous stuff, kid! I could feel von Piperen trembling with fear! My crew, of course, was cool as a nice beer in winter. The Commander signaled, start dive NOW!

Down we went. Airbrakes deployed, wind whistling all around us, plane shaking, flak all over us, and a damned fighter trying his best to blow us to smithereens. Hope he rots in Hell, that Fu@#@#@g  bastard!! Eh, never mind that too, kid, I must be getting a little dizzy. No, Grandpa never says four-letter words. Neither should you. So, we were plummeting from the sky, I let my plane drift a bit to the right from Willie's, and I dropped the bombs. Bombs Los !!! Then to hear the amazing blast of German Ire. That morning I blasted a whole industrial block to pieces. Commander Willie, I was told later, got really mad cause he missed his target. Anyway, he was a good commander.

Alas! That damned fighter was still in our six, firing like his got the whole Russian Goddamned Ammo Industry packed inside that Devil Beblasted piece of S#it !! I got my comms and yelled for help!! Banking left my plane pulled up and leaped ahead. Full Throttle!! My gunners were firing, but they were called Moe, Larry and Curly. What that means?? Come on! It means they hit shit!!! Our plane was being chewed to pieces by the Almightly Deformed Bolshevik, may he burn in the seven circles of Hell, may his seed never bear fruit! ... Argh!!  Kid, get me that red pill over there, quick!!  No, no, Grandpa is fine. Let me drink this. Red??  Who is red like a newborn pig, you little... Come here!!

Ok. Now behave and listen. After what seemed an eternity our fighters finally got to help us, exploding the Red Rat as he deserved. Well, if you ask me, he really deserved a slow, bubbling, very painful... Never mind. Free from the enemies we made our way to a closer airstrip and landed. Actually I half destroyed my plane during that disturbing and most uncomfortable landing. Larry unfortunately did not survive, God take his soul and keep him warm and dry. That, little man, was how Grandpa got this here medal. Now rush to bed. Come on, good night. Sleep tight.

Oh!! Hi sweetie. What I was doing? Nothing. Just telling the kid a nice bedtime story. Yelling? No, that must have been the neighbor. You know how that fellow can get his temper worked up. Good night.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Filomena (primeira parte).

Conto exemplar.
Eu conheci a Filomena numa aula de ginástica para grávidas. Hoje eu não entendo o que eu estava fazendo ali, mas na época era moda, todo mundo fazia, e se todo mundo faz, é que deve ser bom, não é?
Bom, pelo menos para mim não foi.
E foi a Filomena que me salvou. Imagina, a professora estava naquela história de senta e levanta, senta e levanta, e eu sentei e não levantei mais. Eu estava me sentindo tonta, e a tonta da professora insistia:
- Levanta, menina, vamos lá! Deixa de preguiça!
E eu, que sou obediente, levantei e sentei de novo sem querer, e tudo foi ficando escuro, e eu fui caindo...
Quem me segurou foi a Filomena. E foi logo dando uma bronca na professora:
- Ô Kátia, não está vendo que a menina está passando mal? Não tem competência pra ser professora não?
Saí da aula com a Filomena, que me pagou um suco de laranja. Nunca mais voltei para a Ginástica de Grávidas, mas arrumei uma amiga. E passei a me encontrar todos os dias com a Filomena para andar na praia. Esse foi o nosso exercício de gravidez. Na revista Cláudia que eu li no cabeleireiro diz que também é uma boa forma de exercício, que aumenta as endorfinas.
A Filomena era muito divertida. Falava muito, falava alto, falava um monte de palavrão. Meu pai sempre me proibiu falar palavrão. Ele também falava, de cada duas palavras cinco eram palavrões. Ele era homem, não tinha problema, né? Mas mulher falando palavrão é muito feio. Uma vez lavou a boca da minha irmã com sabão. Não deu muito resultado não. Até hoje ela é desbocada.
A Filomena, com os seus palavrões, me divertia. Ela é uma pessoa de muita personalidade, muito intensa, e eu admiro isso. Quando a gente ia num restaurante, ou numa lanchonete, ela sempre fazia valer os seus direitos (era assim que ela dizia). Reclamava, brigava com o garçom, chamava o gerente. Uma vez chegou a jogar um prato no chão, porque o bife estava muito bem passado, e ela só gosta de carne sangrenta. Eu confesso que fiquei meio assustada, mas depois até ri e falei para ela:
- Você hoje está o cão que o diabo amassou, hein?
Eu adoro usar esses trocadilhos populares. Eles dão um ar intelectual à conversa, e mostram que a gente tem cultura.
Aos poucos eu fui conhecendo melhor a Filomena. Imagine que ela antes de casar tinha sido piloto de avião! Sabe aqueles aviões pequenos, que as pessoas ricas alugam para não viajar misturadas com as pessoas comuns? Pois é, por incrível que pareça, a Filomena pilotava um avião desses. Que eu saiba, foi a única mulher aviadora da história. Vê como ela tinha personalidade?
Aliás, foi pilotando que ela conheceu o marido, que é empresário. Ela foi contratada para levar um grupo de industriais para visitar uma fábrica no interior, e aí tudo aconteceu. Eu suspirei quando soube.
Já pensou que romântico? Eu imaginei tudo: enquanto o avião atravessa aquele céu de brigadeiro (mas um brigadeiro azul, não cor de chocolate), ele, de terno, pasta de executivo, óculos escuros, um charme, desliga os cinco celulares (ele tem cinco, eu vi), fecha o laptop, e de repente faz uma declaração de amor no ouvido dela. E ela, tomada de paixão, mergulha o avião numa manobra ousada, rasgando as nuvens como quem rasga um sutiã. Confesso que tive inveja, que Deus me perdoe (sei que a inveja é um pecado muito feio, e as pessoas usam uma palavra ainda mais feia para falar de inveja).
É claro que o marido da Filomena exigiu que ela deixasse a aviação quando se casaram. Está certo. Mulher de empresário tem que ficar em casa cuidando dos filhos, dando ordens às empregadas, preparando a casa para as recepções dos homens importantes que vão fazer negócios com o marido. Confesso que mais uma vez tive inveja. Às vezes eu vejo o meu marido no sofá, de pijama, tomando cerveja enquanto vê o jogo do Flamengo, e penso que se eu tivesse casado com um empresário não precisava trabalhar. Mas, enfim, cada macaco no seu galho. Cada cabeça, uma sentença. Nem todo mundo tem a mesma sorte.
Nossos filhos nasceram, com um intervalo de uma semana, o dela primeiro, o meu depois. O Paulo Henrique, meu filho, era uma gracinha. Até hoje. O filho dela, o Cauê, também era um bebê muito bonitinho. E a nossa amizade foi aumentando.
A gente levava os nossos bebês nos carrinhos para tomar o sol da manhã na praia (dizem que faz muito bem aos ossos). Era uma delícia. Às vezes, ela se aborrecia com os ciclistas. Um dia ela chegou a derrubar um rapaz de uma bicicleta, porque ele passou bem perto do carrinho do Cauê. Ah, eu esqueci de dizer, ela é muito alta e forte, muito diferente de mim, que sou baixinha e franzina. O rapaz levou um susto. Quando viu aquele mulherão gritando com ele, xingando de todos os palavrões, subiu rapidinho na bicicleta e deu o fora. Quando um não quer dois não brigam (sem querer ostentar conhecimento, aí vai, humildemente, mais um trocadilho popular).
Eu falei que o Cauê era muito bonitinho. Ele era mesmo. Mas à medida que foi crescendo, foi ficando meio nervoso. Acho que ele puxou ao gênio da mãe. O que deve ser bom. Ele deve se tornar um adulto decidido também.
O problema é que toda vez que a gente se encontrava ele enchia o meu filho de bolacha. E a mãe não fazia nada. Eu tratava de tirar discretamente o Paulo Henrique do caminho. Quando dava.
Como falava o meu pai, a gente só deve andar com boas companhias, e eu faço questão de criar o meu filho de acordo com essa orientação. O Cauê é filho de pais que tem dinheiro, são bem situados na sociedade. Enfim, uma boa companhia. Bater no meu filho é um mal menor. A gente contorna.
O tempo foi passando, os filhos crescendo. Eu convivia muito com a Filomena e o filho. Às vezes a gente ia à praia, e o meu marido ia também. Mas nós não conhecíamos o marido dela. Ele é um empresário importante, tem umas fábricas não sei de quê, trabalhava muito, estava sempre viajando.
A Filomena passou a se queixar muito. Dizia que o marido quase não ficava em casa, que não dava atenção para ela e para o filho, que saía para jantares de negócios e muitas vezes só voltava no dia seguinte, que quase não conversava com ela. Eu explicava a ela que a vida de um empresário deve ser muito difícil, que ela tinha que ter paciência. E ela sempre terminava lembrando os tempos de aviação, e me contava da sensação de liberdade que tinha no céu, pilotando seu avião.
Num dia ela chegou a me dizer que tinha outro problema com o marido, mas que não ia me contar, porque era uma coisa muito íntima. Apesar da curiosidade, eu não insisti no assunto. Sabe como é, mais vale um pássaro na mão que dois voando. Eu não queria perder a amizade dela.
Eu dizia para ela que eu queria conhecer o seu marido, apresentá-lo ao meu marido. Quem sabe, com uma boa conversa de empresário, o Leonardo ensinava o Pedro Paulo a ganhar dinheiro? Como eu já falei antes, eu sigo a orientação do meu pai, de andar sempre em boas companhias. Afinal, o hábito não faz o monge.
Um dia, a Filomena veio com a boa notícia. O marido tinha aceitado ir para um hotel fazenda com a gente. O preço era meio salgado, mas eles dividiam em 12 vezes, de forma que nós podíamos pagar.
E assim fomos nós, passar o fim de semana em Resende, com o Leonardo, a Filomena e o Cauê. O Pedro Paulo brincou, dizendo que ia botar uma roupa de futebol americano no Paulo Henrique, porque assim, quando o Cauê batesse, o Paulo Henrique estaria mais protegido. Eu disse a ele que não tinha gostado da brincadeira. Lembrei que eu tinha, pela minha facilidade de fazer amizades, conseguido me relacionar com pessoas de categoria, e que era bom para o nosso filho conviver com um menino que tinha nascido em berço de ouro.
O Cauê só era meio nervoso, só isso. Eu nem liguei quando, numa visita, ele quebrou uns três ou quatro bibelôs na mesa da nossa sala. Coisa de criança. Se conselho fosse bom, macaco não punha a mão em cumbuca. Eu sou muito compreensiva.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Pequeno conto narrado através de um piloto da Luftwaffe em 1943

Era a última saída do dia para mim, em Prokhorovka. Estávamos agora baseados em Belgorod, a Sul da linha de frente. Subi em meu F4 semi-novo, que herdei de um falecido companheiro após ter o meu irremediavelmente danificado pela flak inimiga em minha última saída.

A tarde estava ensolarada, ainda antes das seis, neste inverno gelado deste fim de mundo. Sempre com saudades da minha cerveja bock feita pelo tio Hans em seu celeiro, demos a partida e acelerei pela pista.

Minha missão: destruir o que encontrasse.

A oposição era tremenda, havia mais que o dobro de aviões inimigos, e nosso Staffel ainda estava usando os antiquados Friedrichs. Teríamos Gustavs se nosso prestígio junto ao OKL aumentasse, nos dizia o GeschwaderKommodore, GuntherRall. Teria que me virar com o F4 mesmo. Para dizer a verdade, gosto muito deste avião, mas o que ouvi falar dos novos G2 e G6 me atiçou a curiosidade.

Havia um dificultador extra, que deu uma pitada a mais de emoção a esta missão. Estava sozinho. Caçando solitário, tentando não virar presa fácil para o bolchevique hediondo. Com sorte e perícia levaria ao menos um para o fundo de seu amado solo pátrio. Que leve minhas lembranças ao Lenin, e explodam os dois!

Ahá, lá estava um dot suspeito sobre território inimigo, seguindo para sudoeste bem à minha frente. Como tinha a vantagem da altitude, segui-o e invertendo, mergulhei como a chama divina. O korno percebeu minha manobra e se esquivou como só um comunista sabe fazer. Percebendo mais 4 prováveis inimigos nas redondezas segui voltando para sul. Estava a 5K de altitude após o mergulho, e vim recuperando. Após poucos minutos o vermelhinho desistiu da perseguição, apesar da evidente vantagem numérica. Exemplificou bem a incapacidade para perseverança do eslavo médio.

Eis que me surge um pedido de socorro pelo rádio. Nossas unidades de terra estavam sob ataque. Exatamente no bloqueio de armas anti-tanque no setor F4, logo a norte de Belgorod. Alguém iria pagar caro pela ousadia. Segui para lá e iniciei uma descida em espiral acentuada, forçando a vista para ver o bandido verde sobre o solo também verde.

E lá estava ele. Um Sturmovik lento como uma jaca velha seguindo sobre a estrada. Como uma sombra, reduzi a potência e mergulhei sobre o maldito. Ao chegar bem perto, a uns 200m disparei todas as armas, mandando chumbo quente no korno. Diversas explosões na asa esquerda e fuselagem, na área do motor, mas ao olhar para trás vi que o tinhoso seguia voando, e o que é mais incrível, atacando!! Devia estar sentindo falta de seus ancestrais, ou era masoquista!

Virei para uma nova passagem e larguei chumbo no porco. De novo pelo lado esquerdo, novamente diversas explosões e o bicho começou a expelir a doce fumaça negra do destino. Me virei para a base, pois a esta altura o porco estaria uivando fora seus bagos no rádio pedindo socorro. Assim me privei de ver uma bela cena de espatifamento e chamas.

Mas logo fui informado que um Sturmovik de fato havia explodido ao ser submetido a uma rápida desaceleração em contato com sua amada terra pátria. Sempre digo que o que mata não é a queda, mas sim o fim dela. Ao cair, siga caindo!!

Verifiquei que não estava sendo seguido e voltei para a base em Belgorod, já me lembrando da cervejinha artesanal da família e do doce inverno da Floresta Negra. Tenho que matar mais bolcheviques para voltar para casa a tempo do próximo inverno! Ao menos teria a schnapps enviada pela turma da infantaria como de praxe. Boa sorte aos garotos da lama, que sofrem mais do que nós, da Luftwaffe.

Tchuss